sábado, 8 de agosto de 2009

tanto

Sempre tem um dia, aquele dia. Sempre tem uma hora, um minuto que seja, em que você poderia mudar muitas coisas. E daí você pára e faz o pior que poderia ter feito: não faz nada! Não limpa a casa, não bota o cinto de segurança, não lava o cabelo, não toma o leite, não brinca com o avô, não enche a forma de gelo, não dá atenção pro cachorro, não tira os sapatos, não pinta as unhas, não sai com guarda-chuva, não tira a foto, não diz tchau, não leva o moletom e coisas do tipo. E você acha que deixou de fazer alguma coisa besta, que pode muito bem fazer depois... Ledo engano! Deixar pra depois é o cacete! 'Deixar pra depois' são palavras que não deveriam ser usadas juntas na mesma oração, ou (no caso de acontecer) deveriam vir seguidas de 'vai dar merda bróder'.
E aí, eu te digo: não adianta! Não adianta chorar, nem se arrepender. Não adianta pedir perdão, não adianta chamar a mãe e o pai, nem brigar com o guarda. Não adianta sentir remorso, não adianta perder o sono, nem dormir pra esquecer. Porque nada volta atrás... E aquele velho, poderoso e intrigante 'se' fica te rondando e te remoendo inteiro por dentro. Até doer a cabeça, o corpo, tudo! Tudo dói e você se entope de remédios... Mas adivinha? Aquela dor, aquele sentimento não passam. E aí eu te pergunto: o que se faz? E eu te respondo: Nada! Bota a cabeça no travesseiro e chora. Chora até não poder mais e percebe o quanto não adianta.

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