E é aí que está o perigo! Você se vê queimado, assado praticamente, por alguém que você só quis bem, só fez o bem. E se pega, num primeiro momento, analisando cada detalhe, cada sorriso, cada gesto, vasculhando cada canto, na ânsia de achar um sinal, ou um erro, ou qualquer merda que seja, pra justificar o golpe tomado.
Quando você acha... tudo bem! Fica triste por um tempo, mas passa. E aí não foi traição de verdade, e não é dessa que eu tô falando. Eu falo daquela traição inexplicável, daquela que dói forte, que não passa. E aí você chora, grita, chora. Vem a raiva, a vontade de matar, de se vingar. E é nessa hora que acontecem os crimes passionais... Verdade!
Mas depois é que é pior... Porque aí vem a decepção, o gosto ruim na boca, a tristeza da alma. E é nessa hora, do silêncio choroso do coração, que a gente se sente morrer um pouco. E lá se vai um pedacinho seu... Um pedaço da tua esperança nos outros, no mundo. E fica no escuro, velando uma parte que morreu. Eu digo por mim! Já enterrei a Juliana namorada algumas vezes, a filha, a amiga, a companheira... nem sei mais! Enterro hoje mais uma, com gosto triste no olhar. Gosto de quem espera não velar mais ninguém.